Resumo
O projeto Mesa Aqui e Ali é um projeto entre Brasil-Canadá que consiste em um módulo alimentar itinerante, composto por uma mesa modular e adaptável de fácil montagem e desmontagem criada para ocupar espaços públicos muitas vezes esquecidos, abandonados, ou insuficientes, criando espaços de convívio, troca e compartilhamento. A mesa delineia e demarca o espaço, criando assim, território. E ao fazê-lo, declara: aqui nós pertencemos por todo o tempo que estivermos aqui.
Para sua primeira etapa, a mesa interveio em contexto urbano na cidade de São Paulo. Em junho de 2026, desdobraram-se duas ativações em diferentes espaços urbanos da cidade. Cada encontro ofereceu um almoço aberto, concebido como um espaço de diálogo sobre a alimentação enquanto forma de reimaginar e reivindicar como existimos, nos relacionamos e cuidamos do mundo, dos outros e de nós mesmos. Mesa Aqui e Ali (etapa São Paulo) contou com o apoio do Canada Council For The Arts Artistic Creation Grant.
Mesa Aqui e Ali se desdobra agora, a partir de agosto de 2026, em Vancouver, Canadá.
Contexto
Sou Bianca Kodato (26), brasileira, nascida e criada em São Paulo, e há sete anos resido em Vancouver, no Canadá. Como artista brasileira vivendo fora do meu país, compreendo que a comida é altamente contextual. A meu ver, mesmo que inconscientemente, em seu cotidiano, o brasileiro resiste à uniformização global de uma cultura alimentar monótona e ultraprocessada, imposta e impulsionada pelo Norte Global. No Brasil, a comensalidade resiste: cultiva-se o hábito de sentar-se à mesa por horas, prolongando a refeição e o tempo de convivência. Assim, contesta-se ativamente a pressão norte-americana a favor do fast food e do afastamento entre as pessoas e os alimentos de verdade. Nesse sentido, o próprio Guia Alimentar para a População Brasileira reconhece que a alimentação ultrapassa sua dimensão biológica e envolve também aspectos sociais e culturais. Comer, portanto, não é apenas ingerir nutrientes, mas também sustentar relações, práticas e modos de vida.
Acredito que, para caminharmos rumo a um futuro mais resiliente e recíproco com a comida, precisamos desacelerar e decolonizar as formas como comemos, cultivamos, cozinhamos e nos relacionamos. Inspirada pela cultura brasileira, voltei para São Paulo, de onde sou, para desenvolver esse projeto, e para me reconectar e reaprender com minha cultura. Através desse projeto, minha intenção é partir dessas perspectivas para investigar e compartilhar modos pelos quais a cultura brasileira vem resistindo e reinventando sua relação com a comida.
Justificativa
Em um mundo no qual a comida é vista apenas como combustível, e no qual não há tempo no dia a dia para parar, sentar e aproveitar uma refeição; sentar-se à mesa com alguém, dividir um almoço com calma, e compartilhar uma história, torna-se um ato revolucionário.
Quando se come coletivamente, o tempo muda de ritmo e o ato de comer se amplia, ganhando um caráter ritual. Ao dividirmos vivências e memórias, somos levados a nos indagar: De onde vem o que comemos? Quantas e quais mãos tocaram essa comida antes de ela chegar até nós? Por que certas pessoas têm acesso a mais variedades de comida do que outras? Quanto tempo do dia sobra para a comida? Será que sempre foi dessa forma? Quando engajamos com intenção, comer deixa de ser apenas um ato automático e passa a ser resistência e encontro: encontro com o alimento, consigo mesmo e com aqueles que compartilham aquele momento.
Juntos, lembramos de nossos passados, nossas histórias e ancestralidade. Lembramos que existem múltiplas formas de viver, de saber, de comer e de se relacionar. Lembramos também que, quando nos restringimos a uma única forma, a uma única perspectiva, a vida se torna monótona e entediante. Na pluralidade, há tempo para descansar, revitalizar, rejuvenescer e reinventar. Há espaço, curiosidade e entusiasmo para aprender, conhecer algo novo e, por que não, desafiar-se a fazer de outra maneira.
O Mesa Aqui e Ali é um convite para caminharmos rumo a um sistema mais simbiótico e recíproco entre comida e pessoas; humanos, plantas e animais; vida urbana e natureza. Um futuro com múltiplos futuros: diferentes formas de cultivar, processar, consumir, comer, se relacionar, e viver.
Metodologia
A Mesa Aqui e Ali parte da premissa de que grandes transformações podem surgir de infraestruturas simples e encontros cotidianos. Criando situações temporárias e familiares de convivência, a partir de materiais de fácil acesso e simples construção, investigo como gestos simples de ocupação e práticas de comensalidade – sentar-se à mesa, compartilhar uma refeição, ocupar e avivar um espaço em conjunto – podem criar condições para o encontro entre pessoas, fortalecer vínculos e ampliar nossa capacidade de resiliência e cuidado mútuo.
Cada almoço foi preparado previamente as ativações em parceria com diferentes cozinheires. Cada almoço contou com perguntas-guia relacionadas aos temas de futuros alimentares. Os participantes, sempre carregando consigo suas vivências e saberes, foram convidados a discutir essas perguntas e a registrar suas reflexões e conversas no tampo das mesas, deixando suas marcas para as futuras ativações, intervenções e eventos. Essas vivências e marcas gráficas constituem parte essencial do projeto.
Almoço 1)
Almoço 2)
Resultados
O módulo (mesa modular) onde a refeição acontece constitui o principal resultado deste projeto. Enquanto objeto de design, ele foi desenvolvido integralmente para este trabalho; no entanto, entende-se que tão importante quanto sua forma e estrutura são as marcas deixadas sobre sua superfície ao longo dos encontros. Assim, esse mesmo objeto apresenta dois estados: seu estado inicial, registrado antes de qualquer interação, e seu estado transformado pelos encontros, carregado de vestígios, gestos e presenças.
Registros:
Sua etapa em São Paulo se encerrou em julho de 2026, e agora terá continuidade em Vancouver. O projeto também tem como ambição criar outros módulos que possam acolher mais etapas do processo alimentar, como a preparação, o cozimento e a limpeza de uma refeição.
O projeto Mesa Aqui e Ali é um projeto entre Brasil-Canadá que consiste em um módulo alimentar itinerante, composto por uma mesa modular e adaptável de fácil montagem e desmontagem criada para ocupar espaços públicos muitas vezes esquecidos, abandonados, ou insuficientes, criando espaços de convívio, troca e compartilhamento. A mesa delineia e demarca o espaço, criando assim, território. E ao fazê-lo, declara: aqui nós pertencemos por todo o tempo que estivermos aqui.
Para sua primeira etapa, a mesa interveio em contexto urbano na cidade de São Paulo. Em junho de 2026, desdobraram-se duas ativações em diferentes espaços urbanos da cidade. Cada encontro ofereceu um almoço aberto, concebido como um espaço de diálogo sobre a alimentação enquanto forma de reimaginar e reivindicar como existimos, nos relacionamos e cuidamos do mundo, dos outros e de nós mesmos. Mesa Aqui e Ali (etapa São Paulo) contou com o apoio do Canada Council For The Arts Artistic Creation Grant.
Mesa Aqui e Ali se desdobra agora, a partir de agosto de 2026, em Vancouver, Canadá.
Contexto
Sou Bianca Kodato (26), brasileira, nascida e criada em São Paulo, e há sete anos resido em Vancouver, no Canadá. Como artista brasileira vivendo fora do meu país, compreendo que a comida é altamente contextual. A meu ver, mesmo que inconscientemente, em seu cotidiano, o brasileiro resiste à uniformização global de uma cultura alimentar monótona e ultraprocessada, imposta e impulsionada pelo Norte Global. No Brasil, a comensalidade resiste: cultiva-se o hábito de sentar-se à mesa por horas, prolongando a refeição e o tempo de convivência. Assim, contesta-se ativamente a pressão norte-americana a favor do fast food e do afastamento entre as pessoas e os alimentos de verdade. Nesse sentido, o próprio Guia Alimentar para a População Brasileira reconhece que a alimentação ultrapassa sua dimensão biológica e envolve também aspectos sociais e culturais. Comer, portanto, não é apenas ingerir nutrientes, mas também sustentar relações, práticas e modos de vida.
Acredito que, para caminharmos rumo a um futuro mais resiliente e recíproco com a comida, precisamos desacelerar e decolonizar as formas como comemos, cultivamos, cozinhamos e nos relacionamos. Inspirada pela cultura brasileira, voltei para São Paulo, de onde sou, para desenvolver esse projeto, e para me reconectar e reaprender com minha cultura. Através desse projeto, minha intenção é partir dessas perspectivas para investigar e compartilhar modos pelos quais a cultura brasileira vem resistindo e reinventando sua relação com a comida.
Justificativa
Em um mundo no qual a comida é vista apenas como combustível, e no qual não há tempo no dia a dia para parar, sentar e aproveitar uma refeição; sentar-se à mesa com alguém, dividir um almoço com calma, e compartilhar uma história, torna-se um ato revolucionário.
Quando se come coletivamente, o tempo muda de ritmo e o ato de comer se amplia, ganhando um caráter ritual. Ao dividirmos vivências e memórias, somos levados a nos indagar: De onde vem o que comemos? Quantas e quais mãos tocaram essa comida antes de ela chegar até nós? Por que certas pessoas têm acesso a mais variedades de comida do que outras? Quanto tempo do dia sobra para a comida? Será que sempre foi dessa forma? Quando engajamos com intenção, comer deixa de ser apenas um ato automático e passa a ser resistência e encontro: encontro com o alimento, consigo mesmo e com aqueles que compartilham aquele momento.
Juntos, lembramos de nossos passados, nossas histórias e ancestralidade. Lembramos que existem múltiplas formas de viver, de saber, de comer e de se relacionar. Lembramos também que, quando nos restringimos a uma única forma, a uma única perspectiva, a vida se torna monótona e entediante. Na pluralidade, há tempo para descansar, revitalizar, rejuvenescer e reinventar. Há espaço, curiosidade e entusiasmo para aprender, conhecer algo novo e, por que não, desafiar-se a fazer de outra maneira.
O Mesa Aqui e Ali é um convite para caminharmos rumo a um sistema mais simbiótico e recíproco entre comida e pessoas; humanos, plantas e animais; vida urbana e natureza. Um futuro com múltiplos futuros: diferentes formas de cultivar, processar, consumir, comer, se relacionar, e viver.
Metodologia
A Mesa Aqui e Ali parte da premissa de que grandes transformações podem surgir de infraestruturas simples e encontros cotidianos. Criando situações temporárias e familiares de convivência, a partir de materiais de fácil acesso e simples construção, investigo como gestos simples de ocupação e práticas de comensalidade – sentar-se à mesa, compartilhar uma refeição, ocupar e avivar um espaço em conjunto – podem criar condições para o encontro entre pessoas, fortalecer vínculos e ampliar nossa capacidade de resiliência e cuidado mútuo.
Cada almoço foi preparado previamente as ativações em parceria com diferentes cozinheires. Cada almoço contou com perguntas-guia relacionadas aos temas de futuros alimentares. Os participantes, sempre carregando consigo suas vivências e saberes, foram convidados a discutir essas perguntas e a registrar suas reflexões e conversas no tampo das mesas, deixando suas marcas para as futuras ativações, intervenções e eventos. Essas vivências e marcas gráficas constituem parte essencial do projeto.
Almoço 1)
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Localização: Travessa Roque Adóglio, Vila Anglo Brasileira
- Data e hora: 20 de junho, entre 14:00 e 18:00
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Refeição: Feijoada, feita por Juliana Chaves e Isabella Conti
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Perguntas: Qual é uma comida que te conforta? Qual é um prato que você gosta de compartilhar com outras pessoas?
Almoço 2)
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Localização: Praça do Campo Setor 7G, Cidade Tiradentes
- Data e hora: 13 de junho, entre 12:00 e 16:30
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Refeição: Galinhada, feita por Ana Lúcia Barros, Ingrid Barros e Elisa Oliveira
- Perguntas: Qual era a sua comida preferida quando criança? Tem algum prato que melhor representa a sua história?
Resultados
O módulo (mesa modular) onde a refeição acontece constitui o principal resultado deste projeto. Enquanto objeto de design, ele foi desenvolvido integralmente para este trabalho; no entanto, entende-se que tão importante quanto sua forma e estrutura são as marcas deixadas sobre sua superfície ao longo dos encontros. Assim, esse mesmo objeto apresenta dois estados: seu estado inicial, registrado antes de qualquer interação, e seu estado transformado pelos encontros, carregado de vestígios, gestos e presenças.
Registros:
- Painéis: o tampo da mesa serve como superficie de registro para os participantes desenharem, escreverem, e rabiscarem suas conversas, reflexōes e pensamentos sobre as perguntas de cada almoço. Para o registro na mesa, criamos tintas feitas com os ingredientes de cada refeição, como feijão preto e cúrcuma.
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Fotos: registros da preparação da mesa, da refeição em andamento e da mesa já vazia, bem como fotografias dos registros feitos sobre sua superfície.
Sua etapa em São Paulo se encerrou em julho de 2026, e agora terá continuidade em Vancouver. O projeto também tem como ambição criar outros módulos que possam acolher mais etapas do processo alimentar, como a preparação, o cozimento e a limpeza de uma refeição.

